3 lições que podemos aprender com a construção civil na China e Japão

A construção civil de alguns países da Ásia – principalmente a China e o Japão – sempre surpreendem o mundo pela presença da tecnologia ou dos projetos incrivelmente grandes e voltados para o futuro.

Mas qual o segredo para tudo isso? Por que não conseguimos fazer o mesmo aqui no Brasil ou em outras partes do mundo? Confira a seguir três lições fundamentais sobre obras e projetos que podemos aprender com a construção civil destes países.

Tecnologia não é gasto, é investimento


A japonesa Komatsu desenvolveu Inteligência Artificial para monitoramento no canteiro de obras

Mesmo em um cenário de crise mundial na construção civil – com queda de produtividade e lucros em empresas de todo o mundo – países como China e Japão não deixam de investir naquilo que consideram primordial em qualquer área: tecnologia e inovação. Aqui, ao contrário, a palavra de ordem em tempos de insegurança é cortar gastos e paralisar investimentos.

O mercado dos dois países tem investido massivamente em materiais e métodos mais eficientes para os canteiros de obras, como a impressão 3D, a automação de tarefas e até o uso de Inteligência Artificial em equipamentos. Como resultado, os últimos levantamentos mostram que a produtividade da construção civil chinesa aumenta cerca de 7% ao ano, os projetos são entregues em tempo recorde e os recursos do setor podem ser direcionados a mais melhorias e projetos cada vez mais rentáveis.

Construção modular pode ser a solução

Mini Sky City (China), construído em apenas 19 dias

Mais rápida, personalizável e econômica: a construção modular está começando a ganhar espaço permanente no mercado brasileiro, mas, lá fora, ela já é a alternativa mais requisitada há tempos.

Com uma população de quase 1,4 bilhões de pessoas (2016), a China viu na construção modular uma solução prática e com custos reduzidos para combater o déficit habitacional do país. Como nos blocos de lego, os edifícios modulares podem ganhar ou perder andares de acordo com a demanda, sem a necessidade de buscar novos terrenos para construir novas moradias a partir de técnicas tradicionais (como a alvenaria), que demoram muito mais e consomem mais insumos, recursos econômicos e mão de obra.

Como prova de que isso dá certo, a maioria das construções mais rápidas do mundo estão localizadas na China.

Planejamento é fundamental


Obras do novo estádio olímpico no Japão

No Japão, as Olimpíadas de Tóquio só acontecem daqui a 2 anos de meio. Ao final das Olimpíadas do Rio, em 2016, o país já havia dado início às obras necessárias para o evento, que envolvem a renovação de antigos e centros esportivos e a construção do novo estádio olímpico e da vila olímpica. Se China e Japão têm um segredo para tanta inovação e atratividade para negócios internacionais envolvendo a construção civil, ele definitivamente está no planejamento.

Aqui no Brasil (e em tantos outros países) as empresas do setor investem muito menos tempo com essa etapa dos projetos do realmente deveriam. Como resultado, as obras acabam durando muito mais tempo devido aos estouros no orçamento e constantes imprevistos e erros.

Em entrevista, o CEO da China Invest, Thomaz Machado, conta que na China é incompreensível como uma obra aprovada pode parar no meio – algo que acontece frequentemente aqui no país. “Eles se preparam. Se vira prioridade, acontece. Eles têm consciência dos benefícios se conseguirem executar em um tempo menor, tudo diminui. Há um comprometimento de quem executa a obra e os desvios são coibidos rigorosamente.”

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