Construções à prova de furacões: como isso é possível?

Em 2017, o mundo viu os países da América Central e do Norte – em especial os Estados Unidos e Cuba – sofrerem com a devastação dos piores furacões das últimas décadas: as tempestades Irma, Harvey e Katia chegaram a atingir as categorias 4 e 5 na escala Saffir-Simpson, destruindo casas, instalações elétricas e inundando centros urbanos inteiros, que precisaram ser evacuados para evitar danos ainda maiores.

Mesmo com os avanços da ciência e meteorologia, não é possível controlar ou evitar a passagem de um furacão. Mas a construção civil pode ser uma grande aliada na prevenção de desastres e para salvar vidas durante essas situações.

Construções à prova de furacões

No Brasil, as construções tradicionais são feitas a partir de alvenaria. Nos Estados Unidos, no entanto, a tradição é construir casas com estrutura em madeira (wood frame) – assim, além de mais baratas e de rápida construção, elas também são facilmente aquecidas durante o rigoroso inverno. O grande problema é que as construções em wood frame são bem mais leves e frágeis, e por isso não suportam intervenções como abalos sísmicos e grandes rajadas de vento e tempestades violentas.

Quando algum desses fenômenos naturais acontece, as imagens que vemos nos jornais e na internet mostram apenas destruição e entulho, já que os telhados, paredes e estruturas da maioria das moradias acaba cedendo.

Tentando contornar este problema, as construtoras e centros de tecnologia americanos vêm tentando incentivar o uso de outros materiais construtivos pela população, especialmente em áreas afetadas por tempestades tropicais e furacões. Algumas recomendações são:

  • Substituição da alvenaria tradicional ou do sistema wood frame por estruturas metálicas ou blocos de concreto;
  • Fundações mais elevadas, reduzindo o risco de danos durante inundações;
  • Telhados com múltiplas encostas, conferindo melhor desempenho e resistência à ação do vento;
  • Fortalecimento das conexões entre estruturas e fundação.

Projetos já construídos

Ainda pouco comuns, algumas construções totalmente à prova de furacões já foram construídas, e muitas outras estão em fase de teste e estudos. O intuito é proteger a estrutura da edificação sem elevar significativamente o custo das obras para isso.

BaleHaus

Projetada pelos estudantes de arquitetura da University of Bath, na Inglaterra, a BaleHaus é uma casa construída a partir de matérias-primas pouco convencionais no setor: a palha e a fibra de maconha (cannabis).

Segundo os criadores, a combinação destes dois materiais naturais e sustentáveis é capaz de criar uma estrutura modular com ótimo desempenho termoacústico, resistência a ventos e tempestades violentas. Nos testes, a carga de vento foi simulada usando gatos hidráulicos, que empurraram as paredes da casa uma força total superior a quatro toneladas, equivalente à força dinâmica de um furacão. As paredes apresentaram deslocamento mínimo, totalmente dentro dos requisitos.

123 House

Em Nova York (EUA), uma casa foi reformada depois de ter sido quase totalmente destruída pelo furacão Sandy, que atingiu o país no final de 2012. Batizada como 123 House, a nova estrutura passou a contar com paredes de concreto e uma nova fundação com sistema de drenagem para evitar inundações durante tempestades. Da casa antiga, restou apenas o exterior em tijolos aparentes como lembrança.

ECO Shield

Outro projeto que já está sendo colocado em prática em áreas propensas a desastres naturais é o ECO Shield. Criadas pela empresa norte-americana Innovative Composites International (ICI), essas casas são feitas a partir de um tipo de plástico reciclado, possuem eficiência energética e podem ser facilmente montadas pelos próprios moradores, o que é especialmente útil após os desastres, onde famílias inteiras ficam desabrigadas.

Um material de borracha é utilizado para fixar as estruturas plásticas à base, que pode feita de concreto ou outro material resistente. Essa borracha permite oscilação da construção, dando flexibilidade para que ela resista a fortes ventos e até abalos sísmicos, além de poder ser transportada para outros lugares.

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